Dois homens julgados em Leiria por tráfico de droga, avaliada em mais de 200 milhões de euros
In Observador, de 15-04-2026
Segundo o despacho do Ministério Público, “os arguidos negociavam o transporte de contentores com fruta, carvão, arroz e farinha de soja”, onde eram dissimuladas “elevadas quantidades de cocaína”.
Dois homens, tio e sobrinho, vão ser julgados em Leiria por tráfico de droga agravado em coautoria, segundo a acusação consultada pela agência Lusa, que refere cerca de seis toneladas de cocaína de valor superior a 200 milhões de euros.
Em causa estão ainda um crime de associação criminosa, três de falsificação de documento (suposta utilização de matrículas falsas em veículos para transportar a droga) e outros três de sequestro, alegadamente praticados pelo tio, de 55 anos, atualmente em prisão preventiva.
Já o sobrinho, de 29 anos, responde também por associação criminosa e por dois crimes de falsificação de documento.
Uma empresa do concelho da Batalha, de que este segundo arguido era sócio-gerente, mas que era gerida “de facto” pelo tio, será responsável pelo crime de tráfico de droga agravado em concurso real com um crime de falsificação de documento, de acordo com o Ministério Público (MP).
No despacho final do MP, secundado por um juiz de instrução criminal, lê-se que os dois arguidos integravam uma rede internacional de tráfico de estupefacientes responsável pela introdução no país (para depois disseminar por outros da Europa) de grandes quantidades de droga proveniente da América Central e do Sul.
“Os arguidos negociavam o transporte de contentores com fruta, carvão, arroz e farinha de soja”, onde eram dissimuladas “elevadas quantidades de cocaína“, a troco de proventos elevados, usando “como atividade de fachada” a importação/exportação da sociedade da Batalha.
O MP adiantou que dois funcionários da Autoridade Tributária (AT), um a trabalhar no porto de Sines e outro no de Setúbal, “a troco de elevadas quantias monetárias”, garantiam que os contentores com a droga dissimulada “eram desalfandegados em segurança” ou, em caso de fiscalização, informavam.
Numa das situações, 414,7 quilogramas de cocaína importada do Equador, com destino à empresa da Batalha, foram detetados em 2019 pela AT, no chão de um contentor com bananas, no porto de Sines.
Também no Equador foram apreendidas, em 2023, pela polícia deste país, na sequência de uma carta rogatória das autoridades portuguesas, 200 quilogramas de cocaína dissimulada em caixas de bananas que tinham como destino a empresa da Batalha.
Num outro caso, em 2024, o MP sustentou que o tio “negociou com membros da organização criminosa a atuar na Costa Rica” o envio de 2,9 toneladas de cocaína num contentor com bananas, sendo o destino uma empresa no Mercado Abastecedor da Região de Lisboa (MARL).
